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“Só falta a bike para você”, o conselho de amigo fez surgir um Triathleta.

por Fernanda Costa, agosto 2006

Foto: Arquivo pessoal do atleta

Ele cresceu praticando esportes coletivos, mas as inúmeras viagens a trabalho reduziu o tempo para o constante treino em equipe, porisso decidiu correr e nadar. Incentivado por um grande amigo, o brasileiro de Belo Horizonte, Marco Aurélio Vidal (27) começou a praticar o triathlon em 2004, já acumula experiência em provas nacionais e internacionais, sonha em correr as maratonas de Chicago e New York e fazer o Ironman de Florianópolis-SC, que significa nadar 3,8Km, pedalar 180Km e correr 42,195 Km.

Foi num final de um atribulado dia de trabalho em Luxemburgo que Vidal, enquanto esperava a namorada (maratonista), gentilmente conversou com o fernandacosta.com – Repórter em Campo.

REPÓRTER EM CAMPO: Quantas horas por dia você se dedica ao treino?

MARCO VIDAL: Eu treino entre 1 e 2 horas e meia por dia, 5 dias na semana.

RC: Sempre encontro triathletas praticando outros esportes como treinos de resistência,força ..Como seria 1 dia de treino de um atleta

MV: Normalmente pratica-se 2 modalides por dia de treino, além de musculação quando existe disponibilidade. Os treinos de cada modalidade variam muito, pois trabalham diferentes objetivos: explosão, resistência, velocidade, etc.

RC: O triathlon embora praticado em equipe, exige uma superação individual, como é gerenciar isso?

     MV: Na verdade o triathlon é um esporte individual da maneira que eu pratico, porque nunca fiz provas de revezamento. Sempre faço as provas onde participo das 3 modalidades. É maravilhoso... a grande superação é nos primeiros 3 a 5 minutos de cada transição, quando se começa a trabalhar um outro grupo muscular do corpo.

RC: Mesmo competindo individualmente, você faz parte de uma equipe brasileira...

MV: Bem, treino com a turma da OCE - Over the top consultoria esportiva e o meu treinador Hugo Padro Neto é profissional do Mountain Bike e recentemente levou o Brasil ao pódio no Iron Bike mais difícil do mundo, terminou a competição em 3o lugar, na Itália

RC: Quais são os riscos do esporte e as partes do corpo mais comprometidas no caso de lesão ?

MV: Sem dúvidas articulações e musculaturas das pernas, que estão expostas a diferentes exercícios. Se houver problemas de ajustes da bicicleta ou tipo de pisada, durabilidade do tênis, podem aparecer lesões.

RC:Você já acumula experiência em provas nacionais e internacionais: nós, por exemplo, nos conhecemos quando lhe entrevistei na maratona de Luxemburgo. Na época me falou que  utilizava aquela prova como treino. Quais são os critérios de escolha das competições ?

MV: Primeiro critério é a minha afinidade com as provas disponíveis. Em segundo lugar, priorizo no máximo 1 prova por mês. E finalmente, concilio a prova escolhida com o lugar onde estarei.As viagens atrapalham um pouco, mas aí entra em cena a superação de quem gosta do que está fazendo (risos).

RC: O que pode lhe fazer desistir durante uma prova, além da corrente quebrada ? (na prova de Duathlon em Luxemburgo, Marco abandonou a corrida por problemas na corrente).

MV: (risos) Eu nunca parei uma prova antes de terminá-la, a não ser que fosse por motivo mecânico de quebra de uma bicicleta, por exemplo. Não consigo me imaginar parando no meio de uma competição. Utilizo de muita concentração buscando foco positivo, em qualquer dificuldade durante a competição.

RC: Até o momento quais foram as melhores colocações .

MV: Na minha categoria 14˚ lugar no Troféu Brasil 2004 e 8˚ lugar em 2005, 2˚ lugar na corrida da independência, todos em Belo Horionte. Baixei o meu tempo em todas as meias maratonas que fiz e atualmente possuo o tempo inferior a 1h30min, que me qualifica largar com a elite Europeia.

RC: Parabéns ! E quanto a divulgação e o incentivo ao triathlon no Brasil, qual sua opinião?

MV: Infelizmente não existe incentivo ou divulgação de grande porte deste esporte no Brasil. A maior parte dos atletas tem que se auto-financiar, e não podem dedicar-se a este esporte, pois ele dificilmente se torna uma fonte de renda suficiente para uma boa condição de vida. Sem contar que não se trata de um esporte barato: alimentação, suplementos, bicicleta e manutenção da mesma são caros. Tem tamém custos com um treinador especializado e deslocamentos para as viagens. São poucas as provas de bom nível no Brasil. Até que vem crescendo, mas tem espaço e público para ser muito maior do que é hoje.

RC: Qual o mínimo necessário para se investir no esporte hoje?

MV: Para iniciar vc precisa de pelo menos uns R$ 4.000,00. Sendo,R$ 3.500,00 em uma bicicleta de qualidade média, R$ 400,00 em um bom tênis, e alguns equipamentos de natação. Se gasta pelo menos mais uns R$ 300,00/mês com treinador, inscrição em provas e suplementos básicos. Isso são os custos de quem quer fazer o esporte para curtir. Quanto mais se profissionaliza, mais se gasta. Já que as viagens passam a ser longas e caras, além do custo com alimentação esse valor pode aumentar em pelo ao menos 10 vezes.

RC:Como é sua alimentação?

MV: Normalmente eu como pouca gordura, mas tento reduzir ainda mais nos 7 dias antes das provas. O resto é focar em carboidratos diversos, proteínas animal e vegetal além das vitaminas. Tenho como base pelo ao menos 60% de carbohidrato em minhas refeições.O ideal é ter um nutricionista, mas eu ainda preciso economizar né? (risos)

RC: E em relação as diferenças das competições no Brasil e na Europa? O que se pode chamar de melhor? por exemplo, estrutura, organização, percursos, etc

MV: Não tem comparação. Os eventos de ponta na Europa tem uma infra-estrutura muito melhor do que as provas de ponta no Brasil. Infelizmente não temos o investimento adequado no esporte brasileiro como um todo, não é só no triathlon.

RC: Qual a região do Brasil mais indicada pra preparar os atletas para provas importantes?

MV: Santos é o local onde a maior parte dos eventos de triathlon se realizam no Brasil e também onde a maior parte dos melhores atletas treinam. Mas temos bons atletas treinando no estado do Rio de Janeiro, exemplo é a Fernanda Keller, falar o que dela né?

RC: As etapas de natação no Brasil sao no mar e na europa muitas vezes nos lindos lagos, em que interfere no grau de facilidade ou dificuldade  da prova?

MV: Depende da corrente e no nível de ondas que existem no dia. Se for mar com corrente a favor e calmo, facilita a natação. Caso contrário é melhor nadar nos lagos onde a única dificuldade pode ser a temperatura da água.

RC: Qual menor temperatura já nadou?

MV: Nossa, não sei dizer... hehehe  Talvez algo em torno de 14˚C. Mas para esses casos a gente usa roupa de neoprene. Elas são obrigatórias para temperaturas abaixo de 19˚C a depender do regulamento da competição.

RC: E o Pan 2007 no Rio, o que você espera?  Virgílio Castilho ganhou recentemente na Suiça, Juraci Moreira treina intensivo....você teria algum palpite?

MV: O Reinaldo Colucci está fazendo uma temporada maravilhosa de provas longas na Europa. Não sei dizer, depende muito das condições físicas do atleta no dia e isso tem muito a ver com a prioridade que cada um estabelece para o ano.

RC: Quem ganha a sua admiração na categoria?

MV: No feminino é indiscutível: Fernanda Keller. No masculino meu amigo Felipe Dayrell, que só participa das provas de longa distância e já conseguiu vaga nos últimos 3 anos para o Ironman do Hawai, mas ainda não pôde ir por falta de verba. Essas vagas ele consegue todos os anos por ficar entre os 10 primeiros colocados do Ironman Internacional de Florianópolis em Maio. Tenho que admirá-lo não é?

RC: Cada vez mais são encontrados casos de dopping no esporte mundial. Você acredita que o desejo de ser o Ironman, por exemplo, coloca o dopping como a melhor alternativa? 

MV: Não. Acredito que as pessoas estão buscando todas as alternativas possíveis para conseguir o dinheiro que o esporte oferece nas grandes competições internacionais. O esporte deixou de ser uma atividade de agregação social, como o seu nome sugere. Passou a ser uma competição financeira. É uma pena !

RC: Qual limite de idade de um triathleta?

MV: Não existe. Essa é uma das vantagens do triathlon. Tem atletas de 65 anos participando do Ironman no Hawai. Portanto é esporte para o resto da vida!

RC: Tem razão, no último Iroman em Kärtnen na Áustria, o mesmo que Fernanda Keller garantiu a vaga para o Ironman do Hawai, o atleta mais velho tinha 79 anos, um exemplo de vida, vê-lo cruzar a linha de chegada, de mãos dadas com a esposa, foi emocionante..

Marco muito obrigada !!! Nos vemos nas competições, espero que da próxima em pistas brasileiras. 

Mais informações sobre o Atleta e equipe acesse:www.treine.net

 

  

 

 

 

   

 
 


 



 
 

 



 
   

 
 

 


 

 


 
 

 
 

 
 


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